Vernissage
6th June 2018, 6h30 pm

Public Days
6th June to 6th August, 2018, 9am to 23pm

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Beauty and the East

Noriko Fukui

Curadoria de Francisco Lacerda


O Museu Eurostars em parceria com o curador de arte Francisco Lacerda, apresenta a exposição Beauty and the East, que traz-nos obras que nos oferecem um programa raro: promover a nossa própria felicidade, deixando vir à superfície em toda a sua beleza a criança que há em nós. Para a artista japonesa, na senda do que tantos grandes nomes já escreveram antes, a obsessão constante com a acquisição crescente de afirmações materiais de superioridade social como o poder, o dinheiro, o prazer, ou a beleza, torna-nos na realidade, com o tempo, pessoas cada vez mais desfiguradas, mais frígidas, e que são objectos de constante desconfiança e desprezo social apesar de toda a sua ostentação de superioridade. São estas as pessoas de quem Steinbeck fala magistralmente em Cannery Row, de 1945, quando descreve o quarteirão dos negócios com os seus edifícios sumptuosos de jardins cuidadosamente desenhados e porteiros de uniforme reluzente prontos a tirar do estacionamento automáveis grandes e bem polidos – era o quarteirão  onde os homens esfaimados de amor destroem tudo o que pode ser amado a’ volta deles.

Da mesma forma, o sonho dourado de podermos controlar cada vez mais a morte e o envelhecimento pode tornar-se, cada vez mais, num verdadeiro pesadelo do qual a nossa sociedade não sabe nem como acordar. Ao longo de toda a nossa vida, cada vez mais pautada pelos valores de individualismo e de ganância que são a quintessência do tecido capitalista que veste toda a gente à nossa volta, os bens de consumo que adquirimos com o nosso dinheiro tanto nos trouxeram uma qualquer  felicidade de sabor banal como nos deram a provar o sabor de uma amarga tristeza que desconhecíamos. Nunca conseguimos libertar-nos da insatisfação constante que esteve sempre desperta dentro de nós. E, no fim de todo o nosso caminho, o mais provável é que venhamos a encontrar-nos terminalmente sós. O mundo que nós próprios construímos não é para velhos. A partir de um certo limite, basta a nossa idade para afastar as pessoas. No passo seguinte estamos entubados numa cama de hospital onde a máquina que nos sustenta ameaça manter-nos vivos muito para lá dos limites da normalidade, e então é que já ninguém nos visita mesmo. Ninguém. E é quando imploramos ao vazio à nossa volta que por favor nos leve dali. Mas a máquina foi bem feita, por óptima ciência, e funciona bem e também não quer saber de nós, portanto agora ainda vão passar mesmo muitos, muitos, muitos anos, solitários e inglórios, até ao dia da nossa libertação. Há quem diga que os jovens nascidos com o milénio, designados por “milenials” na língua inglesa, são hipnotizados desde pequeninos para acreditarem que este mundo tecnologicamente avançado em que vivem é absolutamente perfeito – o que, numa sociedade em que a realidade virtual aumenta cada vez mais, os afasta da escolha entre o bem e o mal, criando situações de extrema gravidade para o futuro da nossa sobrevivência enquanto humanos. 

Todos sabemos e é consensual que a tecnologia está a mudar completamente as nossas vidas; mas, se há muito que aguardávamos algumas destas alterações para vivermos com mais  qualidade, outras tomaram literalmente de assalto as sociedades humanas e deram-lhes a mais estranha de todas as voltas. Os computadores cada vez melhores tornaram-se cada vez mais rápidos, mais potentes, e mais pequenos. Tão pequenos que acabaram por caber dentro de um simples telemóvel pessoal. Tão potentes que podem incluir centenas de jogos e outros tantas de programas extremamente complexos, além de poderem ser suportes para actividades profissionais como plantas arquitectónicas de grandes edifícios ou romances de mil páginas. Tão rápidos que a comunicação e a execução de tarefas se tornam possíveis a prazo imediato mesmo que o interlocutor esteja do outro lado do mundo. Em consequência disto mesmo, as pessoas passaram a ter um novo estilo de vida sem privacidade nem tranquilidade que só não as destrói porque nunca chegaram a conhecer outro: trabalham 24 horas por dia, 7 dias por semana, e sem férias; e espera-se delas que respondam de imediato a solicitações enviadas directamente para o smart phone pela entidade patronal nos momentos mais improváveis, e por vezes impossíveis.
O Deficit de Atenção torna-se também um mal geral: a partir do momento em que se podem ter vinte janelas abertas ao mesmo tempo, escrever por abreviaturas praticamente simbólicas, executar todas as operações a uma velocidade superior à do piscar de um olho, passar de um site para outro porque o utilizador se farta ou afinal não gosta, a capacidade de nos concentrarmos numa tarefa que estamos a executar perde-se por completo. O Atention Deficit Disorder manifestou-se primeiro só nas crianças, mas hoje está diagnosticado em muitos milhares de milhões de adultos. Recorde-se que o único medicamento que estabiliza a agitação e incapacidade de raciocínio causada por este sindroma é a Ritalina, o que quer dizer que o nosso modelo social se tornou sustentável, ou suportável, apenas com o apoio de doses brutais de anfetaminas consumidas num grande pico aqui no Ocidente e depois um pouco por todo o mundo.
Finalmente, estes computadores pequenos, rápidos, e potentes, fazem cair sobre o mundo inteiro um silêncio espesso e anormal, que não parece pressagiar nada de bom. Mesmo em espaços públicos de grandes dimensões, como é o caso dos transportes, cada pessoa trouxe consigo a sua música, o seu filme, a sua série, o seu Facebook, o seu Whatsup, os seus jogos, os seus trabalhos para ir fazendo, as suas mensagens para ir mandando. Uma carruagem de metropolitano cheia de gente pode fazer o percurso inteiro do centro da cidade ao segundo nível de preços para os bilhetes da periferia, e é muito possível que nunca se oiça um som.  

Neste sentido podemos dizer sem sombra de dúvida que as novas tecnologias mudaram radicalmente a forma como nos relacionamos. E a imagem deste novo “universo dos polegares” parece de facto tão alienígena que nos dá vontade de gritar que o mundo está perdido.
Claro que não podemos voltar atrás, e que seria aliás absurdo pensar sequer em tentar fazê-lo. E claro que, para cada um de nós, há muito de bom neste novo universo, muito que nos permite chegarmos mais longe, muito que nos permite sermos mais felizes. Mas perante tudo o que o século XXI nos colocou pela frente sem o termos anticipado é perfeitamente legítimo sentirmos as maiores das dúvidas sobre as escolhas correctas, as defesas possíveis, e os caminhos que podemos percorrer.
Uma única pergunta chega para entrever as potencialidades nocivas de deixarmos os milenials crescerem agarrados a monitores de uma máquina ou outra. Se nunca falam uns com os outros porque fazem tudo on-line, e se estão habituados a um universo onde quando uma pessoa não gosta do site em que está passa para outro e fecha o anterior, como é que vão namorar quando chegar a altura? E ter filhos? E tudo o que está implícito na expressão “constituir família”? É verdade, mete medo.
Para todas as outras inseguranças que não temos quem nos ajude a resolver,  basta começarmos a fazer um pequeno inventário.
Temos a inteligência artificial, os satélites, a biotecnologia,  os cyborgs e os robots praticamente nas mesmas funções, incluindo a possibilidade de satisfazerem as nossas necessidades amorosas. Temas as aristocracia e as oligarquia, complementadas pelos monopólios e pelos carteis. Como é que havemos de resolver as violações dos direitos humanos? Quem será capaz de fazer germinar a educação do futuro e para o futuro, quem conseguirá saltar de facto as barreiras convencionais para criar novos conceitos de família e rejuvenescer as relações amorosas? Quem é que será capaz de perceber o suficiente sobre os males do mundo para acudir de forma eficaz às migrações em massa, às crises colossais de refugiados, a todas as questões assustadoras da guerra, da pobreza, das próximas grandes armasde extermínio?  E quem estará suficientemente comprometido para salvar os habitats do Planeta, proteger todas as espécies que estão a desaparecer vertiginosamente, e evitar as grandes catástrofes que adviriam do aquecimento global?  

Qualquer professor universitário, em qualquer parte do mundo, dirá: os milenials, certamente. Os miúdos que já nasceram agarrados aos gadgets e sabem tirar deles o melhor proveito possível sem se ferirem demasiado com as suas armadilhas, porque são miúdos que têm conhecimento, e que procuram constantemente mais conhecimento. Ao contrário de nós, que podemos apenas ensiná-los e incentivá-los, têm a energia e a generosidade próprias dos seus dezoito anos. E sem dúvida podem, e claro que querem, mudar o mundo. Todos os anos lectivos todos nós conhecemos dezenas de miúdos destes, absolutamente espectaculares. Recuperamos logo a nossa fé na humanidade.

“O olhar profundo revela toda a verdade dentro de nós.”, diz Noriko quando pinta. Se calhar ainda não demos por isso, mas estamos a ignorar aqueles de quem realmente gostamos, e que gostam mesmo de nós. Por isso mesmo, cada uma das suas obras revela a tristeza, alegria, desespero, paz, e calma. A criança que há em nós.

Noriko painted Beauty and the East with piece after piece quietly revealing sadness, joy, despair, peace, and calm, to help us set our inner child free and discover what it feels like to be happy and trustful again. In the overagitated society of the twenty first century, where ADD runs rampant in children and adults alike and everybody goes around changing from one site to the next faster than the blinking of an eye, we may not even notice but we’ve been ignoring those we really like and really care for us. Sure enough, everybody wants to be rich and powerful. At the end of the day, everybody is old and lonely and the richer they became the longer it is going to take for them die all tied up to an extremelly effecient, merciless machine. Let’s rather trust the millenials, who will certainly know how to live differently. And let’s use Noriko’s help to cultivate our own happiness. As Candide said masterfully: “Il fault cultiver notre jardin”.


Por Clara Pinto-Correia 

Organização

Participating venues

United State Of International Artists

Eurostars Museum

Hotusa


Curadoria

Curator

Francisco Lacerda


Tradução, Textos

Translations, Texts 

Clara Pinto-Correia


Produção, Suporte Técnico, Design Gráfico

Production, Technical Support, Graphic Design

United State Of International Artists

 

© imagens, textos e traduções

© of images, texts and translations

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